Mortes no EsporteMortes no Esporte

Mortes no Esporte

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Desde a fatalidade ocorrida com o jogador de futebol Serginho do São Caetano, em abril de 2008, passamos a dar mais atenção à avaliação médica prévia à prática desportiva. De lá pra cá, outras mortes súbitas envolveram três jogadores de futebol, um de vôlei e um nadador, o que deixou-nos todos apreensivos. Entretanto, essa preocupação é sazonal, com diminuição do interesse conforme o tempo passa e reforço mediante o ocorrido, quando ele é recente.

Então, questionamo-nos: como atletas de elite podem ser vítimas de problemas cardíacos? E o que resta para nós, atletas informais, que praticamos aquela “bolinha” com os amigos nos finais-de-semana?

Devemos ter em mente que tanto os atletas profissionais como os amadores, podem ser acometidos por moléstias cardíacas, mesmo sem antes terem sentido sintomas. Frente a um esforço exagerado, essa doença silenciosa pode se manifestar através de sua forma mais chocante: a morte súbita. Sabemos, hoje, que cerca de 50% das pessoas que sofrem infarto do coração não chegam sequer a ser atendidas em um hospital. Na maioria das vezes, elas já sentiam sintomas de alerta e, por desconhecimento, negligenciaram esses avisos.

Aproxima-se, em breve, o verão. E nessa época do ano, é comum a procura por academias de ginástica, a fim de preparar o “corpo” para a temporada de praia. Entretanto, pessoas sedentárias que começam exercícios físicos de uma hora para outra, sem avaliação ou supervisão adequada, constituem os potencias candidatos a terem surpresas indesejadas.

Para evitar contratempos, é necessário ficar atento aos sintomas de alerta. A presença de pressão alta, de cansaço precoce, de dores no peito e de tonturas ao fazer esforços cotidianos, como subir rampas ou escadas, indica a existência de problemas, e isso merece uma investigação especializada. Além disso, o histórico familiar de problemas cardíacos não deve ser esquecido, como também a presença de outros fatores de risco, tais como o diabetes, o colesterol alto e o tabagismo.

Caso algum desses fatores esteja presente, procure um cardiologista antes de sair por aí correndo na rua ou de matricular-se na academia. Uma avaliação cuidadosa, incluindo um eletrocardiograma de repouso e de esforço, bem como a análise dos fatores de risco presentes em cada caso é capaz de discernir entre aqueles que podem começar os exercícios imediatamente, e os que não podem e que terão de tratar ou investigar algum problema primeiro.

O exercício regular é um dos pilares da terapêutica cardiológica e deveria ser praticado por todas as pessoas. Mesmo aqueles que já sofrem com doenças cardíacas podem fazer atividades físicas. Entretanto, a avaliação médica prévia é essencial para colhermos os benefícios indiscutíveis dessa prática sem corrermos riscos desnecessários.